RIO — Com a projeção de Rodrigo Maia, à frente da Câmara dos Deputados, o DEM atingiu seu maior cacife político desde que mudou de nome, há pouco mais de dez anos, quando deixou para trás o PFL. Agora, pensando até mesmo em uma candidatura presidencial, o partido se prepara, novamente, para renovar a marca.

 

Uma pesquisa foi encomendada e apontou que a legenda poderia se chamar Mude, alternativa que já foi rejeitada pelo próprio Rodrigo Maia.

— A pesquisa deu um nome que eu era radicalmente contra. Qualquer nome que gere um nome como “Mude” ou “Novo”, é velho no segundo dia — disse, ao GLOBO, o presidente da Câmara.

Maia prefere uma mudança discreta, embora reconheça que a troca de nome deve ficar para depois das eleições. O Democratas, antes PFL, que abrigou parcela expressiva da antiga Arena, partido que nasceu junto e deu suporte à ditadura militar, deve representar o campo político do centro.

— O que queremos representar? O equilíbrio. E onde está o equilíbrio? No centro. Então, se quiser mudar o nome, pode fazer uma variação de centro, mais Democratas, e ficar com um nome perto disso — disse, indicando uma opção como Centro Democrático.

A troca de nome não é consenso na legenda. O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), é contra a alteração. Hoje no PSB, mas prestes a retornar ao DEM, o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) acredita que aderir à onda de troca de nome de partido não ajuda muito.

— Eu tenho um pé atrás com esse negócio de mudar de nome. Eu estava na mudança do PFL para o DEM. Esse negócio tem que ser muito pesquisado e precisa colocar cientista político na conversa. Essa é minha posição pessoal — disse Fortes.

Mudar o nome do partido se tornou a febre na política brasileira no ano passado.

O Partido Ecológico Nacional (PEN) virou Patriota. O Partido Trabalhista do Brasil (PTdoB) se tornou o Avante. Em recente articulação, o Partido Social Liberal (PSL) viu sua tentativa de mudar de nome para Livres frustrada, após anunciar um acordo para que o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) ingresse na legenda. Ao tomar conhecimento do acerto com Bolsonaro, o Livres, um movimento da sociedade civil, desistiu de ajudar na empreitada de reformar a legenda — ou, ao menos, de sua marca. Aliás, as trocas de nomes não se revelam certeza de reformulação de práticas políticas, em nenhuma legenda.

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